Hard rock, glam metal... estilo mais sexual que isso não existe. Me surpreendeu, até ver esse vídeo, que não tenham diversos vídeos de pole dance ao som de Motley Crue, Warrant, Poison, LA Guns e afins espalhados pela internet.
Para a minha surpresa, minha procura por tal vídeo termina com uma performance feita com uma música, digamos, "pouco sexual" da banda: Helter Skelter, do álbum Shout at the devil, de 1983. Esperava alguma com Gilrs, girls, girls ou too young to falling in love, mas gostei dessa. Fugiu dos clichês.
O próprio amadorismo do vídeo ao som de um álbum não tão bem produzido dá um ar interessante a essa performance. É cru, real, é verdadeiro como as músicas da banda.
Era mais um carnaval. Algumas pessoas ficam em
casa, outras vão para folia, outras trabalham. Cada um faz o que lhe convém
naqueles quatro dia que antecedem, informalmente, o início do ano no Brasil. No
caso de Amadeu e Lorena, a decisão fora fazer uma viagem, apenas os dois. Sem a
presença da filha. Os dias passaram e o que ocorreu na viagem não se fez tão
importante para essa história quanto o que ocorreu em seu retorno. Da suíte do
casal vinham ruídos estranhos e lá foram conferir uma cena que lhes surpreendeu
imensamente, imagino. Me surpreenderia, também, se estivesse no lugar deles.
Sua filha, de quinze anos interagia, sexualmente com dezessete homens. O que
talvez choque muito mais gente ainda seja o fato de que ela aparentava estar
plenamente sóbria e consensual naquele festim sexual. Aconteceu entre as 19
horas da terça e 9 horas da manhã da quarta feira de cinzas.
Uma adolescente que faz sexo com dezessete homens
ao mesmo tempo durante uma viagem feita pelos pais e não foi vítima de abuso.
Prossigamos.
Amadeu, o pai, imediatamente colocou para fora de
sua casa o grupo de parceiros sexuais de sua jovem filha. Mais surpresas ao
conversar com ela sobre o ocorrido. Aquilo, segundo a menina, teria sido o
resultado de um leilão virtual feito em algum site de relacionamentos. Não importa
qual, importa apenas que ela leiloou uma noite de sexo com um grupo de homens
pela internet. A mãe ainda apurou os valores: os “lances vencedores” estariam
empatados em R$3.500,00. A caderneta de poupança da garota, criada pelos pais
quando ela tinha doze anos, teria recebido somente no fim de semana do festim
sexual depósitos na ordem de R$ 63 mil. Eles fizeram, até então, apenas um
único depósito de R$50,00, no momento da abertura da mesma conta. Os pais não
sabiam, sequer desconfiavam, de que sua filha de quinze anos já possuía nessa
mesma conta a quantia de R$ 234.128,50.
Agora, contam que os pais estudam ao que fazer
com este montante. A hipótese mais provável é a compra de um imóvel em nome da
filha. Justo.
Não sei se interessa, mas nada acontecerá com
ninguém neste caso, uma vez que os pais não registraram queixa por abuso. Repetindo:
a menina não apresentava sinais de embriaguez, nem de estar sendo violentada. Tudo
parecia consensual. Contam até que a maior preocupação dela ao fim desse
episódio era uma possível “quebra de contrato”. Fora tranqüilizada pelos pais
que disseram que não devolverão o dinheiro.
Enquanto isso, nesse exato momento, alguém da
mesma idade faz a mesma coisa em alguma rede social. Talvez algum amigo seu vá
até lhe mandar um link desses para você se divertir. E todos vão condenar você
se souberem que você viu e ainda tirou
umazinha, estimulado por tal exibição juvenil, transmitida ao vivo. Condenação
complicada de entender diante dos milhares ou milhões de acessos que essas
coisas geram.
Conivência é a palavra de ordem. É mais uma daquelas histórias que mexem com a nossa sanidade mental. Nos levam a pensar sobre a distância entre o que passa nas nossas mentes e o que disso traduzimos em palavras, atos, posicionamentos ou coisas do tipo. Fora toda a sensação de que tem algo de muito errado num mundo onde a mesma pessoa que não pode votar, pode se leiloar na internet, ou ainda que o discurso anti-pedofilia seja tão ardoroso, mas uma garota de quinze anos consegue ganhar, em um fim de semana, mais dinheiro que, talvez, os pais em um ano, se prostituindo.
Deixando claro que eu não defendo nenhum lado da história. Nem sei muito bem o que pensar sobre isso. Só consigo pensar, como disse no parágrafo anterior, temos algo de muito errado no mundo.
PS.: a história acima não foi inventada, as
fontes da notícia seguem:
Por razões que já mencionei aqui, não gosto de veicular determinados tipos de conteúdo em meu blog e nem em minhas redes sociais, e incentivo a não se fazer o mesmo ainda que por motivo de protesto. Por diversas razões penso assim. Entre elas temos o risco real de auxiliar no aumento da visibilidade de conteúdos muitas vezes agressivos ou ainda ilegais, ou mesmo a simples possibilidade de oferecer o incentivo final a um ato extremo qualquer para uma pessoa propensa a atos pouco sensatos. Nunca se sabe se um vídeo sobre pedofilia ou violência contra algum incapaz era exatamente aquilo que faltava a algum psicopata para praticar algum crime. No entanto, me vi meio que obrigado a opinar sobre o vídeo que segue:
Esse ato está ligado a um movimento ligado ao Jesus Freak, aqui no Brasil conhecido como Loucos por Jesus, que consiste em um grupo ligado a organizações de jovens cristãos, promovendo diversos tipos de eventos e manifestações. Nota-se um viés extremamente conservador deles, com pontos similares aos da Renovação Carismática Católica e setores protestantes neo pentecostais, diversas vezes pregando a abstinência sexual entre jovens, crimialização do aborto e drogas, não uso da camisinha, homofobia, iniciação sexual somente após o casamento, entre outros.
Mas esse vídeo mostra que a loucura por Jesus está saindo das igrejas e do discurso, tornando-se atos públicos de vandalismo,como este do vídeo. Subir em mesas de uma praça da alimentação de um shopping, gritar com um megafone pregando para pessoas que não estavam naquele lugar para este fim - elas estariam na igreja, se fosse o caso - é desrespeitoso, por não considerar o espaço alheio e a possibilidade de alguém dos que ali estavam se incomodar com tal ato. Não pensaram que alguém poderia se assustar, por exemplo, ou ainda estar ali para outro fim.
Além disso, vejo tais coisas como preocupantes, na medida em que esse tipo de vandalismo acontece em uma sociedade onde está se acirrando cada vez mais as rivalidades entre crentes, descrentes ou mesmo entre as igrejas e outras religiões umas com as outras. A disputa por espaço tem ultrapassado os limites do bom senso e adentrado domínios em que a religião não deveria estar.
A meu ver, estamos diante de um cenário em que "loucos por Jesus" podem fazer pregações estilo "flash mob" em uma praça de alimentação de shopping, e logo depois em resposta algum outro grupo não ligado a eles poderá fazer outro tipo de ato tão desrespeitoso quanto em alguma igreja evangélica. Isso é perigoso, ainda mais num ambiente de crescente fanatização como o que estamos vivendo. O debate entre religiosos e ateus, por exemplo, tem chegado a um nível de infantilidade tão grande quanto ao que existe nas torcidas de times de futebol. Virou uma disputa de espaço, troca de provocações. Pode ser um primeiro passo rumo a confrontos físicos, a meu ver. Esse tipo de manifestação ocorrida no shopping indica, a meu ver, essa direção.
Enfim, gostaria que cristãos , pessoas de outras crenças religiosas, além de ateus e agnósticos tomassem ciência dos riscos que corremos e tentassem frear os ânimos desse embate. O que hoje é somente um desagradável flash mob numa praça de alimentação de shopping pode, futuramente, tornar-se algo mais sério, que machuque ou mate alguém.
Violência e proselitismo religioso são duas coisas ruins que se casam muito bem. Precisamos aprender isso de uma vez por todas.
Lançado
no Brasil com o título “Sexualidade e condição homossexual na moral
cristã”, o mais novo livro do teólogo espanhol Marciano Vidal, que faz
um histórico da abordagem da homossexualidade pela Igreja Católica, foi
censurado na Argentina pela Congregação para a Doutrina da Fé, do
Vaticano.
Não é a primeira vez que o teólogo é repreendido pelo Vaticano: em
2011 a Igreja Católica o havia repreendido por causa de alguns de seus
livros que, supostamente, justificam a homossexualidade, a masturbação, a
contracepção, a inseminação artificial e a liberação judicial do
aborto.
Tendo retirado o livro das prateleiras por causa de denúncias do
clero local, essa é a segunda obra recolhida pela editora católica San
Pablo em poucos meses. O diretor da editora, Aderico Dozani, afirma ter
cumprido a determinação do Vaticano, mas se diz perplexo pela
proibição, já que o livro continua a ser distribuído na Espanha e no
Brasil, onde é editado pela Santuário.
De acordo com o El País, outro livro da editora recentemente
censurado foi o “Parejas y sexualidad en la comunidad de Corinto”, do
pastor metodista Pablo Manuel Ferrer. Na obra, que faz parte de uma
coleção ecumênica sobre temas bíblicos, Ferrer defende a tese de que o
apóstolo Paulo não fazia restrição à diversidade familiar.
A empresária Eliana Tranchesi, sócia da Daslu,morreu na madrugada desta sexta-feira (24), em São Paulo. Faleceu em função de complicações causadas por um câncer no pulmão. Em 2009, ela mesma foi condenada a 94 anos e seis meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos. Logo depois ela obteve o hábeas corpus e foi solta para o tratamento da doença que causou sua morte.
Nada de extraordinário na notícia. Pessoas são condenadas por crimes e morrem de câncer. O inusitado aí está na relação que o âncora do Jornal da Band Boris Casoy faz entre a morte da empresária e o governo Lula.
Ele afirma que “Eliana foi exposta à execração pública e humilhada, o que deve ter contribuído e muito para o câncer que a matou”. E tal execração, de acordo com a fala do jornalista, teria sido um mecanismo usado pelo governo a fim de desviar a atenção da opinião pública do escândalo do "mensalão". Ao mesmo tempo que faz tais acusações, o apresentador afirma que Eliana Tranchesi seria culpada da maioria das acusações a ela feitas.
Particularmente, não acreditei nessa notícia na primeira vez que ouvi. Daí me lembrei do vídeo que vem logo abaixo:
Me veio então à cabeça um artigo de um dos meus blogs favoritos, o Van do Halen, a respeito de um famoso produtor brasileiro que lançou algumas bandas como Restart, e ao mesmo tempo, em entrevista, desdenha de mitos como o Velvet Underground. O título do artigo era "Novos horizontes para a expressão falar merda".
Muitíssimo adequado à esse tipo de fala, não seria?
Acredito que as relações humanas
não terminam no conflito, e sim na indiferença. Não existe conflito quando se é indiferente com algo. Atitudes, pessoas ou seja lá o que for, só se
tornam motivo de alguma briga em quem as percebe. Só se é possível entrar em
discussão, por exemplo, com alguém que está disposto a ouvir. Caso contrário,
só se ignora e nada mais. Fala-se sozinho. É assim que as pessoas lidam com a maior parte
das outras, ainda mais dentro de um ambiente urbano, onde milhões e milhões se
amontoam num pedaço de selva de pedra, aos milhares a cada quilômetro quadrado,
mas ignoram-se nomes e fisionomias vistas diariamente por cada um em cada
situação cotidiana. Hoje mesmo, pensei sobre isso depois de passar ao lado de
duas pessoas que conversavam perto do gramado da faculdade. Era um rapaz e uma
moça, não daria mais de vinte anos a nenhum dos dois. Ao passarem do meu lado,
uma frase solta me chamou a atenção: - comemorei mais a morte da minha mãe do
que minha passagem no vestibular.
O que isso me fez mesmo pensar?
Primeiro, evidentemente, uma frase solta diz muito pouco sobre qualquer coisa e
seria preciso muita imaginação para elaborar qualquer coisa sobre isso. Ele poderia
estar falando de qualquer coisa, literalmente. A frase é impactante, claro, mas
e daí? Eu poderia dizer que vou matar alguém sem ter a intenção de assassinar,
de fato, seja lá quem for. O que me chamou a atenção, de verdade, foi
justamente a minha indiferença diante disso. São desconhecidos, e como não
havia contexto para a frase as possibilidades várias de interpretação me
fizeram ignorá-la. Não conheço o sujeito, provavelmente não me lembro mais de
sua fisionomia. Muito menos a “mãe” que ele citou na frase. Talvez se fossemos
próximos eu ou entenderia de cara que era uma brincadeira, ou então me chocaria
com tamanha insensibilidade perante a morte de alguém.
Ocorre algo similar com questões
morais. Um dia que fui a uma farmácia, por exemplo. Nunca entendi o porquê de
as escovas de dente estarem logo ali onde estavam, mas queria comprar uma e lá
fui e vi uma jovem. Devia ter seus vinte e cinco, vinte e seis anos. Ela pegava,
nunca saberei se para comprar ou apenas movida pela curiosidade – a bem da
verdade, nem me interessa – uma bisnaga do gel K.Y., lubrificante íntimo também
usado para a prática do sexo anal. Ao me ver, ela abaixa a cabeça e corre. Move-se
entre as prateleiras tentando não me ver e sai da loja. Na época disse para mim mesmo que quem se
julgou foi ela – repito, não tenho nada a ver com o que ela faz com o próprio
cu- e saiu por uma vergonha originada desse auto-julgamento. Já penso de outra
forma, passado o tempo. Podia ser isso, mas também poderia ser outra coisa. Ela
poderia ter me confundido com outra pessoa. Talvez me conhecesse, de verdade,
ou através de uma rede social ou mesmo ter amigos em comum. Ou a “fuga” tivesse
sido uma impressão minha na hora.
Saber ou não saber o que uma
pessoa desconhecida faz acaba fazendo tão pouca diferença que, em alguns
momentos, chego a achar graça de situações desse tipo. É como a experiência se
parar uns minutos na porta de um prostíbulo qualquer. No mar de pessoas do
centro da cidade, um homem desce aquelas escadas mal iluminadas de cabeça baixa
e olha os dois lados da rua antes de prosseguir. Acelera o passo e mistura na
multidão. Ensaia desculpas para o caso de ser surpreendido por alguém
conhecido, embora, racionalmente pensando, a chance disso acontecer é a cada
dia menor. Até para se encarar um desconhecido se perde a graça, nesses
momentos.
Mas a fronteira entre um
desconhecido e um conhecido, no mundo moderno, é tênue. Já não se fazem mais
espaços de socialização como os da infância dos meus tios, por exemplo, onde
todos acabavam conhecendo todos, cresciam juntos, freqüentavam as mesmas casas.
Eram íntimos com mais pessoas. Creio que hoje conheçamos centenas de pessoas a
mais que as pessoas desse contexto conheciam, mas somos íntimos de bem menos. Um
caso para ilustrar. Lembrei de um caso que me contaram de um sujeito que viu um
colega de escola, uma grande escola do centro da cidade, saindo de um cinema
pornô. Um daqueles com cabines individuais. O reconheceu por conta de serem da
mesma série e tê-lo visto frequentemente nos corredores. Contou isso a amigos
mais próximos e comentavam entre si diversos nomes que iam chamá-lo quando
tivessem oportunidade. Nunca o fizeram. Por quê? Jamais tiveram a coragem de
fazê-lo, pois o gelo que existe entre as pessoas antes que algum nível de
intimidade o atenue era gigante naquele momento. Era tão grande quanto em
relação à maior parte das pessoas. Não
importava se o conheciam, se não sentiam conhecer o bastante. É o que mais
acontece: as pessoas se conhecem e se desconhecem com uma extrema facilidade, e
esse “conhecer” é totalmente matizado.
Vejo também que é dessa forma que
se pode constatar que uma relação humana – seja de qual natureza for – chegou
ao final. Defendo que uma relação humana não acaba quando ambos desejam a morte
um do outro, brigam diariamente ou algo assim.
Termina quando um envolvido passa a não saber que o outro existe de tal
forma que tudo o que essa pessoa fizer não será mais notada, tal como situações
dessas do cotidiano, dessas que esquecemos para não enlouquecermos. Daí o tempo
passa e se esquece, aos poucos, praticamente tudo que remeta a pessoa sem
sentir qualquer coisa com isso. Foi o que me ocorreu ao pensar num fato, que
pode parecer sinistro aos ouvidos de algumas pessoas, de que há uns dez anos
fui a uma festa no mesmo dia em que recebi a notícia do falecimento de meu avô
paterno. Guardo ótimas lembranças da festa, e nenhuma dele.
Não imagino situações similares
acontecendo num contexto em que as pessoas são mais próximas. Não é o caso da
atualidade, ao menos na maioria das vezes. Vemos acontecimentos bizarros o
tempo todo, e o que acontece? Não acontece nada. Refiro-me a nós, internamente. Seguimos e
ignoramos essas coisas como uma espécie de defesa mental dentro de um lugar
onde vemos e ouvimos coisa bem pior diariamente. Perceber e enlouquecer seriam
sinônimos.
A música escolhida, Black nº 1, da banda norte americana Tipe O Negative, deve ter sido, talvez, a melhor escolha que já tenha visto em performances desse tipo. Sombria e ao mesmo tempo repleta de conotações sexuais, uma bela música que marcou um grande momento para esse gênero nos anos 90.
A autora da performance tem um canal no Youtube chamado Pole is Art. Nele contém vários vídeos semelhantes. Recomendo.