Era mais um carnaval. Algumas pessoas ficam em
casa, outras vão para folia, outras trabalham. Cada um faz o que lhe convém
naqueles quatro dia que antecedem, informalmente, o início do ano no Brasil. No
caso de Amadeu e Lorena, a decisão fora fazer uma viagem, apenas os dois. Sem a
presença da filha. Os dias passaram e o que ocorreu na viagem não se fez tão
importante para essa história quanto o que ocorreu em seu retorno. Da suíte do
casal vinham ruídos estranhos e lá foram conferir uma cena que lhes surpreendeu
imensamente, imagino. Me surpreenderia, também, se estivesse no lugar deles.
Sua filha, de quinze anos interagia, sexualmente com dezessete homens. O que
talvez choque muito mais gente ainda seja o fato de que ela aparentava estar
plenamente sóbria e consensual naquele festim sexual. Aconteceu entre as 19
horas da terça e 9 horas da manhã da quarta feira de cinzas.
Uma adolescente que faz sexo com dezessete homens
ao mesmo tempo durante uma viagem feita pelos pais e não foi vítima de abuso.
Prossigamos.
Amadeu, o pai, imediatamente colocou para fora de
sua casa o grupo de parceiros sexuais de sua jovem filha. Mais surpresas ao
conversar com ela sobre o ocorrido. Aquilo, segundo a menina, teria sido o
resultado de um leilão virtual feito em algum site de relacionamentos. Não importa
qual, importa apenas que ela leiloou uma noite de sexo com um grupo de homens
pela internet. A mãe ainda apurou os valores: os “lances vencedores” estariam
empatados em R$3.500,00. A caderneta de poupança da garota, criada pelos pais
quando ela tinha doze anos, teria recebido somente no fim de semana do festim
sexual depósitos na ordem de R$ 63 mil. Eles fizeram, até então, apenas um
único depósito de R$50,00, no momento da abertura da mesma conta. Os pais não
sabiam, sequer desconfiavam, de que sua filha de quinze anos já possuía nessa
mesma conta a quantia de R$ 234.128,50.
Agora, contam que os pais estudam ao que fazer
com este montante. A hipótese mais provável é a compra de um imóvel em nome da
filha. Justo.
Não sei se interessa, mas nada acontecerá com
ninguém neste caso, uma vez que os pais não registraram queixa por abuso. Repetindo:
a menina não apresentava sinais de embriaguez, nem de estar sendo violentada. Tudo
parecia consensual. Contam até que a maior preocupação dela ao fim desse
episódio era uma possível “quebra de contrato”. Fora tranqüilizada pelos pais
que disseram que não devolverão o dinheiro.
Enquanto isso, nesse exato momento, alguém da
mesma idade faz a mesma coisa em alguma rede social. Talvez algum amigo seu vá
até lhe mandar um link desses para você se divertir. E todos vão condenar você
se souberem que você viu e ainda tirou
umazinha, estimulado por tal exibição juvenil, transmitida ao vivo. Condenação
complicada de entender diante dos milhares ou milhões de acessos que essas
coisas geram.
Conivência é a palavra de ordem. É mais uma daquelas histórias que mexem com a nossa sanidade mental. Nos levam a pensar sobre a distância entre o que passa nas nossas mentes e o que disso traduzimos em palavras, atos, posicionamentos ou coisas do tipo. Fora toda a sensação de que tem algo de muito errado num mundo onde a mesma pessoa que não pode votar, pode se leiloar na internet, ou ainda que o discurso anti-pedofilia seja tão ardoroso, mas uma garota de quinze anos consegue ganhar, em um fim de semana, mais dinheiro que, talvez, os pais em um ano, se prostituindo.
Deixando claro que eu não defendo nenhum lado da história. Nem sei muito bem o que pensar sobre isso. Só consigo pensar, como disse no parágrafo anterior, temos algo de muito errado no mundo.
PS.: a história acima não foi inventada, as
fontes da notícia seguem:
FONTE: Diário Popular 23/02/12, Site VírgulaIMAGEM: Refletores da Fama